O que é hyperpop? Origem, som e artistas do género
Atualizado a · onyr1x
Hyperpop é um estilo de pop nascido na internet que leva as características da música pop ao extremo: vozes com pitch alterado e muito Auto-Tune, compressão e distorção fortes, sintetizadores brilhantes e mudanças bruscas de género dentro da mesma canção. O som nasceu à volta da editora londrina PC Music e de produtores como A. G. Cook e SOPHIE na década de 2010, e o nome popularizou-se quando o Spotify lançou a playlist Hyperpop em agosto de 2019.
De onde vem o hyperpop
As bases foram lançadas em Londres, onde A. G. Cook fundou a editora e coletivo artístico PC Music em 2013. Os artistas ligados à editora, como o próprio Cook, SOPHIE e Hannah Diamond, faziam uma versão exagerada e muito polida da pop, a que a crítica chamou inicialmente bubblegum bass. Usavam os sons da pop comercial como matéria-prima: vozes agudas quase de desenho animado, sintetizadores com som de plástico e refrões levados ao limite.
A Charli XCX aproximou esse som do grande público. O EP Vroom Vroom, de 2016, foi feito com SOPHIE, e a mixtape Pop 2, de 2017, com produção executiva de A. G. Cook, é muitas vezes apontada como um modelo para o género. Ao mesmo tempo, uma geração mais nova fazia música parecida em casa e partilhava-a primeiro na internet, muitas vezes no SoundCloud.
A palavra é mais antiga do que o género. O escritor Don Shewey usou "hyperpop" em 1988 para descrever os Cocteau Twins. O sentido atual fixou-se quando o analista de dados do Spotify Glenn McDonald a acrescentou às categorias de géneros da plataforma em 2018. Em agosto de 2019, a editora do Spotify Lizzy Szabo lançou a playlist Hyperpop, em parte por causa do sucesso dos 100 gecs, o duo de Laura Les e Dylan Brady, cujo álbum 1000 gecs e a canção "Money Machine", ambos de 2019, se tornaram referências do estilo.
Como soa o hyperpop
Não existe uma fórmula única, e isso faz parte da ideia. Ainda assim, a maioria das faixas classificadas como hyperpop partilha alguns hábitos que tornam o estilo fácil de reconhecer.
- Vozes processadas até soarem sintéticas: com pitch subido, afinação rígida, duplicadas ou cortadas.
- Compressão, clipping e distorção fortes, usados de propósito para a faixa soar alta e um pouco partida.
- Sintetizadores e percussão brilhantes e metálicos, em vez de sons quentes e naturais.
- Mudanças bruscas de estilo, por exemplo de um refrão pop para um drop de trance, uma batida de trap ou uma explosão de guitarras.
- Canções curtas e ganchos que chegam depressa.
- Influências de bubblegum pop, nightcore, trance, emo, nu-metal, trap e chiptune.
Hyperpop, pop, PC Music e digicore: qual é a diferença?
O hyperpop usa os elementos da pop comercial, como melodias orelhudas, refrões grandes e produção polida, mas exagera-os. Onde uma canção pop de rádio esconde o processamento, o hyperpop mostra-o em primeiro plano.
A PC Music é uma editora e uma cena; o hyperpop é uma categoria muito mais ampla que nasceu em parte dela. Digicore é um termo que músicos da internet começaram a usar por volta de 2019 para descrever a sua própria cena, mais próxima do emo, do trap e do rap e construída à volta da colaboração online. Muitos artistas aparecem nas duas conversas e as fronteiras entre estes rótulos são pouco rígidas.
O hyperpop ainda existe?
Em 2021, vários artistas associados ao género, como glaive e ericdoa, começaram a afastar-se publicamente do rótulo, que se tinha tornado um saco onde cabia quase qualquer pop estranha da internet. Hoje o nome é menos usado como bandeira de uma cena, mas o som espalhou-se muito.
A influência ouve-se bem na pop atual. O álbum Brat, da Charli XCX, lançado em 2024 e com A. G. Cook entre os produtores, foi descrito pela crítica como um disco de dança e electropop que incorpora hyperpop, e chegou ao primeiro lugar no Reino Unido. Hoje muitos produtores usam técnicas de hyperpop dentro de outros estilos, da electropop e art-pop à produção próxima do K-pop e à música cinematográfica.
Como se produz hyperpop
A maior parte do hyperpop é feita numa estação de trabalho de áudio digital (DAW) comum, com instrumentos virtuais e plugins. As técnicas são ferramentas normais de estúdio usadas em definições extremas.
- Correção de afinação na resposta mais rápida, para a voz saltar entre notas, e depois pitch subido ou descido para dar carácter.
- Leads de sintetizador em camadas e desafinados entre si, e pads largos, para o som grande e brilhante.
- Distorção, saturação e bit-crushing na bateria, no baixo e até nas vozes.
- Compressão e limitação agressivas no master para a mistura soar densa e alta.
- Edições no arranjo como gaguejos, secções invertidas, efeitos de tape-stop e cortes súbitos para silêncio.
Por onde começar a ouvir
Se estás a descobrir o género agora, estes lançamentos mostram bem como evoluiu, das raízes na PC Music até chegar às tabelas de vendas.
- SOPHIE, Product (2015) e Oil of Every Pearl's Un-Insides (2018)
- Charli XCX, Vroom Vroom (2016) e Pop 2 (2017)
- 100 gecs, 1000 gecs (2019)
- Charli XCX, how i'm feeling now (2020)
- A playlist Hyperpop do Spotify, para lançamentos recentes
Como o onyr1x trabalha o hyperpop
onyr1x é um produtor musical em Almada, do outro lado do rio em relação a Lisboa. Faz hyperpop cinematográfico e art-pop, produção próxima do K-pop e música para universos de jogos. Podes ouvir o som nas quatro faixas que lançou no SoundCloud em maio de 2026: LOST_SIGNAL, SAY_LESS, QUEEN_CODED e HOLD_ME.
Se és artista e queres este tipo de produção construída à volta da tua voz, ou tens uma canção de hyperpop a meio e queres terminá-la, ele faz produção à medida, mistura e masterização, sessões de estúdio em Almada e trabalho à distância. Responde pessoalmente a cada contacto e os orçamentos são feitos por pedido.